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,22/09/2026

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Yuri Moreira

Muito além da festa Calva: uma gestão que se afastou do povo de Teolândia


Muito além da festa Calva:  uma gestão que se afastou do povo de Teolândia

Como jornalista que acompanha de perto a nossa região, eu vi Teolândia viver momentos de uma gestão muito forte e sintonizada com o povo. Mas hoje, analisando o cenário atual, percebo que aquele ritmo intenso do passado parece ter chegado a um momento de natural cansaço. Os ciclos políticos mudam, e o fôlego de antes hoje dá sinais de desgaste.

Eu sempre vi a prefeita Rosa Baitinga como uma liderança carismática, alegre e presente. No entanto, administrar uma cidade por tanto tempo gera um desgaste compreensível. No último ano, tenho notado um certo distanciamento dela na linha de frente, o que faz a população sentir falta daquela energia que marcava o início da gestão.

Para mim, o resultado das urnas em 2024 foi um sinal importante enviado pela população. Esperava-se uma vitória com uma margem muito maior para Rosa, mas a diferença final de 12,7% contra Zé Bozó — que fez uma campanha bem mais discreta — mostrou o voto silencioso de uma parte significativa da cidade que pedia novas posturas.

Quando avaliamos as ações recentes, percebemos que grande parte das conquistas, como ambulâncias e ônibus escolares, veio por meio de parcerias com o Governo do Estado. Parcerias são fundamentais, claro, mas eu vejo que a população espera um pouco mais de protagonismo e de projetos desenvolvidos pela própria prefeitura de Teolândia.

Com esse ritmo mais comedido da prefeita, o dia a dia da administração acabou se concentrando nas mãos de duas pessoas de sua estreita confiança. Essa centralização de poder, no entanto, tem gerado um desgaste considerável e muitas críticas por parte dos moradores, que hoje demonstram uma forte rejeição a esse modelo.

O que chega até mim, conversando com a comunidade, é que essa liderança concentrada acaba criando barreiras na máquina pública. Quando pouca gente decide, os processos tendem a travar e, infelizmente, abre-se menos espaço para que novas ideias e outras lideranças locais possam crescer dentro do município.

Um ponto delicado que nós acompanhamos e relatamos aqui no Informe 73 é a situação da educação. Há relatos frequentes sobre a falta de transporte para os estudantes da Zona Rural e problemas na estrutura de algumas escolas, que, apesar de novas, sofrem com pisos, janelas e ar-condicionado precisando de reparos. O que chama a atenção é que, sendo a prefeita uma educadora de formação, a expectativa do setor sempre foi muito mais alta.

Esse distanciamento e a falta de um planejamento mais sintonizado com o comércio local ficaram evidentes na Festa da Banana de 2026. O evento, que é o maior patrimônio cultural de Teolândia, acabou deixando a desejar. A escolha de realizar os principais dias na segunda e na quinta-feira acabou dificultando a participação do público trabalhador.

Quem mais sentiu o impacto foram os comerciantes e barraqueiros locais, que investiram recursos esperando um grande movimento e acabaram no prejuízo. Em uma entrevista que fiz recentemente, o Passarinho de Wenceslau Guimarães comentou comigo que o evento pareceu uma "festa calva", referindo-se aos espaços vazios e ao movimento abaixo do esperado.

A própria divulgação da festa mostrou uma mudança de postura. A prefeita, que antes fazia questão de anunciar com entusiasmo cada atração, optou por uma presença bem mais discreta nas redes, com um card único lançado de última hora, deixando os finais de semana sem programação oficial.

O sentimento que corre nos bastidores políticos é de que o grupo atual parece entender que o ciclo está se encerrando. O foco agora, segundo conversas de pessoas próximas, parece ser concluir o mandato de forma tranquila e regular perante a fiscalização, o que acaba deixando o ritmo de desenvolvimento da cidade em compasso de espera.

Eu sei que, logo após essa publicação, haverá quem venha defender a gestão nos comentários e argumentar que eu não conheço a realidade da cidade, ou que essa análise foi feita a pedido de grupo A ou B. Isso faz parte do roteiro tradicional do debate político e eu respeito todas as visões.

Mas o meu papel aqui é trazer os fatos para a reflexão.



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