Yuri Moreira
O ano em que a Festa da Banana perdeu o brilho, o compasso e o público
Festa da Banana VaziaQuem acompanha a nossa região de perto sabe que a Festa da Banana de Teolândia nunca foi só mais um evento no calendário junino. Ela sempre teve o poder quase mágico de parar o Recôncavo, o Vale do Jequiriçá e a Costa do Dendê, atraindo uma multidão que nenhuma outra cidade vizinha consegue reunir de verdade. Para o comércio, o anúncio da grade de atrações sempre foi o sinal verde oficial para os negócios do ano. Lojas de roupas e calçados, distribuidores de bebidas e o setor de alimentação de Teolândia até Presidente Tancredo Neves e Itamari se preparavam com meses de antecedência. Neste ano de 2026, por ser um ano eleitoral, a expectativa geral estava no teto, pois todo mundo imaginava que a prefeitura faria questão de entregar uma daquelas festas históricas que costumam marcar esses períodos políticos.
Infelizmente, o que se viu foi um balde de água fria regado a uma visível falta de empenho e de gosto pela festa por parte da gestão municipal. O que antes era orgulho, brilho nos olhos e barulho na divulgação, a exemplo do ano passado quando a própria prefeita gravou um vídeo em cima de um caminhão para anunciar Natanzinho Lima, este ano se transformou em desleixo. O anúncio arrastou-se até quase as vésperas, travando o planejamento de todo mundo, para no fim jogarem apenas um card digital bem simples nas redes sociais, sem nenhum alarde. A ilusão coletiva de que haveria uma grande atração surpresa guardada a sete chaves foi se desfazendo aos poucos. E quando olhamos a grade final, com atrações que até são boas e estão estouradas no momento, como Toque Dez e Rei do Vaqueiro, ficou aquele gosto amargo de decepção. Faltou aquele peso de evento de grande porte que sempre colocou Teolândia no topo.
Para quem viveu os anos de ouro, a comparação é inevitável e traz uma ponta de lamentação. A gente puxa pela memória os tempos do ex-prefeito Antônio Júnior, com a praça João Pastorinho lotada e Silvanno Salles arrastando multidões. Depois veio a mudança para o espaço do Barradão em 2009, ainda no chão de terra, que abriu as portas para gigantes nacionais como Amado Batista, Banda Calypso, Mastruz com Leite e aquele DVD histórico da Banda Chamegar. Essa grandiosidade continuou com Lázaro trazendo Zezé Di Camargo e Luciano, César Menotti e Fabiano, e seguiu firme nos melhores momentos da gestão de Rosa Baitinga. O evento do ano passado foi um estouro absoluto, o que só aumenta a nossa incompreensão com o desânimo generalizado da organização neste ano. Programar os dias principais do evento para uma segunda e uma quinta-feira foi o xeque-mate na animação de um público que precisava trabalhar no dia seguinte e teve que curtir a festa pisando no freio, olhando o relógio o tempo todo.
Quem assiste às entrevistas, reportagens e resenhas gravadas por portais como o Uala Oliveira, o PTN News e por nós mesmos aqui do O Pressão 73, fica até com a nítida impressão de que a festa foi uma maravilha completa e que a energia estava incrível no circuito. De fato, o papel cumprido por esses veículos de comunicação foi impecável, fazendo uma cobertura profissional, bonita e tentando extrair o melhor de cada momento para valorizar o evento. Mas a verdade nua e crua para quem estava lá no pátio do Barradão era outra, bem distante do entusiasmo que as telas mostravam. O clima de desânimo e o vazio real da praça saltavam aos olhos de quem andava pelo espaço, mostrando o contraste entre o esforço da imprensa em salvar a festa e a realidade melancólica deixada pela organização.
O termômetro mais doloroso dessa situação foi sentido por quem bota a cara e o bolso para trabalhar. O drama dos barraqueiros, tanto os locais de Teolândia quanto aqueles que viajam de longe, de cidades tradicionais como Feira de Santana e Amargosa, foi de cortar o coração. Essa gente batalhadora faz investimentos pesadíssimos, pagando frete caro para transportar estruturas, arcando com custos de estadia e passando dias montando barracas completas de comida e bebida na esperança de faturar alto. Eles apostaram tudo o que tinham, confiando no histórico de sucesso da cidade, mas receberam em troca um pátio esvaziado, estoques de bebida intactos e muita mercadoria perdida.
Para piorar o cenário de prejuízo, esse desespero dos comerciantes vem acompanhado de um silêncio forçado pelo medo. Nas conversas de bastidores, o que se ouve são desabafos tristes, mas sempre em tom baixo, pois em cidades da nossa região, como Teolândia, Gandu e vizinhanças, a política local ainda cobra um preço muito alto de quem ousa reclamar. Os barraqueiros sabem que criticar publicamente a falta de empenho da gestão pode resultar em severas represálias políticas, o que significa o risco real de serem boicotados ou de perderem a vaga e a licença para trabalhar no próximo ano. Ver essas pessoas amargando o prejuízo de braços cruzados, sem poder sequer manifestar a sua indignação, foi o ponto mais triste de uma Festa da Banana que perdeu o brilho, o público e, principalmente, o respeito por quem ajuda a construir o evento.





